Vendor Lock in é um termo em inglês usado para designar a situação em que há um alto custo de troca para o consumidor em um ou mais serviços . Ocorre quando a empresa/pessoa fica “amarrada” porque o gasto e esforço que ela terá, seja recursos financeiros ou não, é muito alto para realizar a migração.

 

As operadoras de telefonia e TV por assinatura sempre foram conhecidas pelos contratos de fidelidade e multas de cancelamento que sempre incomodam os clientes. Essa prática sempre foi utilizada por vários setores, mas nos últimos anos passou a ser evitada pelos consumidores que levaram a uma tendência da criação de serviços livres de fidelidade, dando mais liberdade aos usuários.

Falando de tecnologia, com a evolução dos serviços em nuvem e a criação de infraestrutura baseada em SaaS (Software as a Service), que estão cada vez mais presentes em nosso dia a dia, esse assunto voltou a tona perseguindo as empresas que contratam principalmente PaaS (Plataform as a Service), para suas aplicações internas de gestão. Com as pessoas e organizações criando cada vez mais e mais dados, o Vendor Lock in não vem mais como somente uma técnica de retenção de clientes, mas também se torna um desafio aos gestores de TI quando o assunto é a migração desses dados, por exemplo, caso haja uma necessidade de mudança de serviço.

Uma situação comum que cria um alto Vendor Lock: a empresa centraliza toda sua infraestrutura de TI em um só fornecedor e utiliza um PaaS para todas as suas aplicações, muitas vezes pela integração de informações ou facilidade no desenvolvimento de novos recursos. Quando isso acontece, se torna extremamente custoso para a empresa realizar uma mudança de fornecedor. As plataformas baseadas em Cloud, embora deram mais liberdade para o consumidor em termos de redução de custos e facilidade de adesão, criaram também uma dependência do serviço gerando maiores custos de troca.

Experimente uma situação bem simples: Crie uma planilha no Google Docs que realiza cálculos automáticos e possui padrões de formatação de dados. Agora, tente convertê-la em um arquivo do excel. Quem já fez isso sabe como esse processo é custoso por incompatibilidade, é preciso revisar todo o arquivo à procura de falhas. Por isso, antes de aderir a um ou a outro sistema, é preciso entendê-lo a fundo para não cair nas armadilhas de sua implantação.

Não há como dizer que existirá alguma migração que seja perfeitamente compatível entre dois serviços diferentes, é uma utopia acreditar nisso. Para toda mudança existe uma adequação de infraestrutura e migração de dados. Consciente dos problemas que o Vendor Lock in pode trazer para a empresa, é preciso analisar a compatibilidade dos serviços antes mesmo de adquirí-lo.

Do ponto de vista gerencial, há algumas medidas que podem ser tomadas proativamente que minimizam os efeitos de um possível Vendor Lock in:

  • Fazer uma comparação entre várias soluções: Não é saudável para adesão de novas tecnologias que a empresa se restrinja somente à uma solução, até mesmo se somente para comparação. Cada modelo de negócios pode ser melhor adequado a diferentes alternativas do mercado. Para seguir os passos, é importante analisar os prós e os contras de várias soluções diferentes.
  • Conhecer a infraestrutura dos fornecedores: Se a empresa está contratando um SaaS ou um PaaS, ela está desenvolvida em uma IaaS (Infrastructure as a Service) que a suporta. Conhecer essa infraestrutura é importante para futuras migrações, pois pode facilitar a preparação dos dados com maior flexibilidade.
  • Planeje um custo de migração de entrada e também de saída: É inevitável que haja custos de migração para aderir uma nova tecnologia, porém é preciso levar em conta também uma possível saída desse novo serviço. Quanto custaria para a empresa caso houvesse a necessidade de remover os dados da infraestrutura no futuro? Quão custoso é em relação a outras soluções?
  • Analisar a capacidade de escalabilidade do serviço e como os custos crescem proporcionalmente: Ao contratar serviços e plataformas voltados para a gestão, é importante ter consciência de que a empresa irá crescer e consequentemente a exigência de espaço, usuários, serviços adicionais e novas funcionalidades também. É preciso levar em conta o quanto esse serviço comporta a expansão da empresa e principalmente quais os custos que isso terá. Uma característica marcante dos SaaS é que os seus preços acompanham as necessidades do usuário, isso é bom quando a adoção é simples e pode ser uma armadilha contra o crescimento da empresa posteriormente, não se tornando sustentável.
  • Planejar como seria um possível backup de migração como parte da adoção e qual sua estratégia de saída do serviço: Juntamente com os tópicos 2 e 3, como seria a migração das informações para uma nova plataforma? Quão custoso seria o processo de troca e um backup dessas informações para realizar a migração? Obviamente, a resposta para essas pergunta acarretará diretamente no tópico 3, elevando os custos.

 

A adoção sem planejamento de serviços baseados em infraestrutura cloud pode levar a empresa elevar seu custo de migração devido ao alto Vendor Lock, in causado pelos serviços que está contratando. Quando há esse cenário, os custos aliados ao esforço elevado de migração pode minguar o crescimento da organização, que passa a exigir maior robustez na infraestrutura de TI.

 

 

Fontes:

Gartner Webinar - When Mobile meets Cloud

How to Avoid Cloud Vendor Lock-In:

http://www.linuxinsider.com/story/79417.html

5 ways to protect against vendor lock in in the cloud:

https://gigaom.com/2011/09/24/5-ways-to-protect-against-vendor-lock-in-in-the-cloud/

The Difference Between ‘Foothold’ and ‘Lock-In’:

http://www.definethecloud.net/the-difference-between-foothold-and-lock-in/

Cloud Computing's Vendor Lock-In Problem: Why the Industry is Taking a Step Backward:

http://www.forbes.com/sites/joemckendrick/2011/11/20/cloud-computings-vendor-lock-in-problem-why-the-industry-is-taking-a-step-backwards/