Quando tive a ideia de escrever um post falando da cadeia de valor de Porter aplicada aos negócios de TI, imaginava que o texto não seria curto. Portanto, tomei o cuidado de explicar os fundamentos da ideia central de forma completa, mas sem tornar a explanação cansativa. Isso me levou a dividir o artigo em duas partes: a primeira falando da teoria de Porter e a segunda parte explicando como ela se aplica para a empresa de TI.

Como citei no artigo sobre estratégias de terceirização , o fato de delegar processos para um desconhecido da empresa é muito mais complexo do que simplesmente a contratação de um serviço. A gestão das empresas normalmente leva por um caminho mais simples, deixando de lado alguns processos que podem contribuir com a redução de riscos, gastos não previstos e insatisfações dos clientes.

Um dos fatores críticos em um processo de um processo de terceirização, de extrema importância para o seu sucesso, é o alinhamento estratégico. Durante esse artigo, vamos navegar um pouco em gestão para entendermos como alinhar essa atividade com as estratégias do negócio, fazendo com que esse processo faça sentido para todo o modelo de negócios.

Primeiramente, o que é terceirizável em um negócio?

O conceito básico de terceirização e que é o motivo pelo qual as empresas fazem isso é bem simples: “É MELHOR PAGAR PRA ALGUÉM FAZER PRA VOCÊ AQUILO QUE VOCÊ NÃO É BOM, OU PERDE EFICIÊNCIA“. Logo, o que nos vem a mente de imediato são atividades como a contabilidade, a comunicação entre outras, que não fazem parte do nosso processo principal, ou que estão além das fronteiras do nosso negócio, mas que são extremamente necessárias para o funcionamento do mesmo.

Para entender melhor essa abordagem, é possível utilizar dos conceitos de Michael Porter, desenvolvidos em 1985, sobre cadeia de valor e organização dos processos da empresa.

A imagem abaixo é um diagrama da cadeia de valor de uma empresa:

Porter considera que os processos que compõem uma organização são divididos em dois tipos de atividades: Primárias e de Apoio . As atividades primárias são aquelas que estão diretamente ligadas à entrega de valor para o cliente e tem um impacto direto em sua percepção do produto ou serviço, ou seja, vai desde a aquisição de matéria prima até o consumidor receber. Já as atividades de apoio, são aquelas que dão suporte à gestão por meio de processos e que, embora não agreguem valor diretamente ao produto final, a empresa não pode viver sem.

Adentrando a fundo na separação das atividades conforme mostra Porter, o processo principal ou primárias são aquelas tarefas que a empresa possui uma tendência a não terceirizar, porque são os principais pontos em que preciso ter controle para que não haja perca de qualidade na entrega do produto.

É normal que haja esse tipo de sentimento, principalmente por quem já passou por alguma experiência ruim de serviço ou contratou outras empresas que não fizeram as tarefas da forma como era esperado. No final das contas, o cliente ficou insatisfeito e iniciou uma desconfiança em transferir responsabilidades importantes.

De outro ponto de vista, atividades de "menor importância" na satisfação do cliente poderiam ser terceirizadas, já que o mais importante resultado delas, muitas vezes era somente o resultado quantitativo.

Por exemplo, atividades de Marketing e Vendas não são consideradas, do ponto de vista de processos, uma atividade que faz parte dos processos principais. Em uma indústria, por exemplo, onde o foco de toda a cadeia é a engenharia e o processo produtivo, essas atividades não possuem atenção especial do empreendedor, que passa a maior parte do seu tempo focado em reduzir custos e melhorar a qualidade.

Não só no setor industrial, mas muitas empresas que consideram desta forma. 

​Quando esses conceitos são aplicados ao ambiente de empresas digitalizadas, uma das coisas mais importantes a serem consideradas na hora de pensar nas atividades principais é a UX, ou User Experience (Experiência do usuário),  que é uma das  se não a mais importante diretriz,  que dita quais são  seus processos principais . Ou seja, para identificar aquilo que é essencial ter qualidade no negócio é preciso pensar no produto e também no serviço que é entregue ao consumidor.

Na parte 2,  fiz uma reorganização da cadeia de valor voltada para TI e como identificar o que terceirizar com base naquilo que é essencial para a empresa e o seu modelo de negócio.

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