A primeira parte do artigo está aqui: Link

Em empresas de TI, entendendo os conceitos de empresas enxutas e alta competitividade, é preciso criar sinergia na cadeia de valor, na qual o foco se torna o que está no seu modelo de negócios e como você pode aumentar seu potencial de impacto realizando parcerias ganha-ganha com outros players do mercado, pois mutias vezes há atividades que são importantíssimas para a empresa, porém você não tem excelência e nem vai conseguir ser o melhor naquilo, perdendo muito na percepção do cliente. Resumindo, chegou-se a conclusão de que não fazemos mais a diferença sozinhos.

Tomei a liberdade de reorganizar a cadeia de valor para uma empresa de TI:

Nas empresas modernas de TI, a “Logística” é substituída pelo Marketing e Comercial, que tem o papel de trazer o cliente até seus meios e os entrega os produtos ao invés de contar com canais de distribuição e (muitas vezes) o varejo ou intermediadores - conhecemos em TI esse modelo como SaaS (Software as a Service). Além disso, o comercial é essencial porque a venda de software é de alto valor agregado, onde o cliente leva tempo para tomar decisões de compra. Trocamos também o “Serviço” por suporte e implantação, que representa procedimentos que tem relação direta com o valor entregue ao cliente.

Nas atividades de apoio, é possível perceber que a Infraestrutura, nesse caso, está mais ligada a manutenção de sistemas e servidores e sistemas de informação à geração de informações para tomada de decisões - que pode parecer algo assessório, mas um Marketing Digital sem informações sobre acessos, leads e conversões é um cego em tiroteio.

O que então se torna terceirizável nas empresas modernas? Dá para seguir um roteiro de grau de importância de atividades para tomar essa decisão?

A resposta é não.

Para tomar uma decisão de terceirização é muito mais importante ter consciência daquilo que você é bom, que faz diferente dos concorrentes, que você precisa ter excelência e assim ninguém vai lhe copiar. Ou seja, o primeiro passo para terceirizar é definir claramente sua proposta de valor e seu core business, que vão estar muito ligados a sua missão.

Não vou entrar em detalhes sobre como definir cada um deles, por isso ao final do artigo vou colocar alguns links úteis que podem lhe ajudar.

O Business Model Canvas é uma ferramenta que traz um conceito bem importante para esse tipo de reflexão. Essa ferramenta, que hoje é conhecimento básico para todo gestor ou empreendedor, define de forma simples e visual qual o seu modelo de negócios e de que forma você entrega e captura valor dos seus clientes.

Um Canvas deve lhe mostrar de forma clara qual o problema do seu cliente que você está resolvendo, que é a essência principal de um negócio e aquilo que define suas atividades principais de forma contundente. O problema que resolve justifica você ser importante para os seus clientes, pois na consciência dele o produto que está comprando de você é só um caminho para um objetivo ou necessidade latente.

Por exemplo, se você sai do trabalho e precisa jantar rapidamente, porque tem um outro compromisso com um cliente e não dá tempo de passar em casa. O que escolheria? Provavelmente um fast-food ou um Drive Thru. Agora pense na mesma ocasião, que você precisa levar esse cliente para jantar, sua escolha seria a mesma?

Ambas as escolhas são refeições, e seus negócios possuem cadeias de valor semelhantes. Porém, o problema a ser resolvido é o mesmo? E mais importante, as competências que a empresa precisa ter para resolver os dois problemas são os mesmos?

Ou seja, a única forma de entender aquilo que você deve tomar como atividades principais nas organizações modernas são aqueles processos que estão relacionados com sua proposta de valor e que você pode ter excelência. O Canvas é uma forma mais fácil de enxergar isso, porque sua elaboração é toda centrada no valor. Ao preencher a ferramenta, vai perceber que elas estão no campo “Atividades chave”, que definem quais são as atividades principais e alinhados com seus “Recursos chave” (que são os recursos principais e que são difíceis de replicar no seu negócio) e o problema que resolve de seus clientes.

Todo o resto é passível de terceirização. As atividades chave do seu negócio tem impacto direto no valor percebido pelo seu cliente e isso você deve fazer muio bem, monitorar a qualidade e ter maior controle sobre elas. O que não está lá, será que eu posso encontrar alguém que faz isso melhor no mercado e que pode fazer por mim potencializando a percepção de valor do cliente?

Chegamos então ao epicentro de todo o assunto, que é criar alinhamento estratégico com o modelo de negócios.

Antes de começar a sair terceirizando, é preciso entender o próprio negócio e mapear os processos que impactam diretamente na percepção do cliente, mas indo além e entendendo que você possui (ou não) competências suficientes para fazer o melhor daquilo. O problema do cliente é o centro da solução e quanto melhor você se torna, maiores são os resultados, seja sozinho ou contando com parceiros.


Links:

http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/o-que-e-o-core-business-de-uma-empresa/67278/

http://movimentoempreenda.revistapegn.globo.com/news/ferramentas/2012/06/missao-visao-e-valores-069.html

http://canvabrasil.blogspot.com.br/p/meu-primeiro-modelo-de-negocios-canvas.html