Todo ano de eleições é um período de instabilidade para o mercado brasileiro, principalmente quando se aproxima das datas de votação. Muitas decisões são adiadas para depois dos resultados, acontecem poucas mudanças estruturais e é tempo dos governos entregarem os projetos que ainda não estão completos. A expectativa fica então em cima das possíveis  novas lideranças e quais são as possíveis mudanças que podem vir a acontecer, para que sejam feitos então os planos futuros.

Do ponto de vista do desenvolvedor, que está dia a dia pensando em como inovar em seus produtos e entregar o maior valor para seus clientes, pouco importa o cenário político, até porque o que mais impacta no seu trabalho na verdade são as tendências de tecnologia e desenvolvimento, que precisam ser levadas em conta no seu planejamento. Correto?

Não para quem trabalha com documentos fiscais eletrônicos. A política brasileira tem um impacto enorme nos planos de quem desenvolve software, e é muito importante que isso seja levado em consideração sempre na empresa.

Para a Tecnospeed, potenciais mudanças políticas trazem uma enorme incerteza no ambiente fiscal no país, que possui impacto direto na tecnologia utilizada pelos ambientes públicos para lidar com as soluções fiscais. Afinal, hoje temos um cenário em que boa parte de tudo que é feito em relação ao contexto contábil fiscal é baseado em tecnologia e quem dita as regras acaba sendo o Estado.

Na prática, funciona mais ou menos assim: No roadmap de atividades, são definidos os planos para que uma nova versão do software seja lançado, com novas features que vão permitir a empresa ganhar mais mercado. Mesmo que não haja uma cerimônia padronizada para traçar os planos, as equipes tem um caminho para percorrer.

Assim, a equipe de desenvolvedores é mobilizada para que as tarefas necessárias sejam executadas. Vamos supor que os planos são para que fevereiro de 2015 a nova versão esteja 100% online.

Porém, durante o projeto, uma nova regra de uma cidade de um cliente que emite NFSe altera todo o modelo de comunicação com os servidores da prefeitura, não sendo mais um padrão ABRASF, inclusive. Como é um cliente importante, uma pessoa da equipe se concentra durante o mês para entregar uma nova homologação para o novo modelo.

A equipe de desenvolvimento, que antes era composta por 4 pessoas, agora só tem 3 e consequentemente precisa adiar o prazo de lançamento. Mais uma vez o fisco, na figura da prefeitura nesse caso, faz a empresa interromper seus planos para se adequar às suas necessidades.

Isso é mais comum do que se imagina no ambiente brasileiro, pois as lideranças políticas tem autonomia para realizar mudanças de acordo com suas estratégias. Acontece com a NFSe em âmbito municipal, com a NFe em âmbito nacional e com NFCe em âmbito estadual. Um exemplo recente foi a constante mudança de prazos no Paraná com obrigatoriedade de PAF-ECF, que surpreendeu muitas software houses que preparam seus clientes para atender essa demanda. Quanto desse tempo das equipes poderia ter sido alocado em inovações no software, que aumentaria a satisfação dos clientes?

Por isso, as empresas que desenvolvem software precisam estar atentas ao cenário político e antenadas com as mudanças e tendências, para que estejam preparadas para possíveis mudanças sem sofrer com a execução de seus projetos.